As estufas inteligentes vão gerar nossa energia e cultivar nossa comida

23 novembro de 2017

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, desenvolveram um novo sistema fotovoltaico que permite que as estufas inteligentes gerem sua própria eletricidade usando a mesma energia solar que nutre as plantas. Isso pode reduzir a dependência da rede elétrica.

Foto de uma estuda padrão de vidro, com a exceção de que seu telhado é coberto por um filme rosa magenta bem forte. Protótipo de estufas inteligentes.

 

AGRONOMIA SOLAR

A agricultura de estufa existe desde o século 15, e a idéia de cultivar plantas em uma área que pode ser ambientalmente controlada pode ser rastreada até o Império Romano. No entanto, desde que as estufas modernas foram introduzidas no século 17, pouca coisa mudou. Agora, as estufas são alimentadas por eletricidade da rede e sua capacidade total de produção de alimentos cresceu para mais de 3,5 mil km² de acordo com o professor de estudos ambientais da Universidade da Califórnia – Santa Cruz, Michael Loik.

“É grande e está ficando maior”, disse Loik em um comunicado à imprensa, que anunciou um novo modelo de estufa solar desenvolvido pelos pesquisadores da UCSC, Sue Carter e Glenn Alers. A nova tecnologia de estufa solar poderia reduzir a dependência de estufas da rede elétrica, diminuindo o consumo de energia e limitando as emissões de gases causadores do efeito estufa.

“Demonstramos que ‘estufas inteligentes’ podem capturar energia solar para gerar eletricidade sem reduzir o crescimento da planta, o que é bastante emocionante”, disse Loik, o primeiro autor de um artigo publicado no Earth’s Future, em comunicado de imprensa da UCSC.

 

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Essas “estufas inteligentes” usam o que chamam de sistemas fotovoltaicos seletores do comprimento de onda (em inglês, Wavelength-Selective Photovoltaic Systems – WSPVs) para cultivar plantas e gerar eletricidade para as estufas. Essas estufas são equipadas com painéis de coloração rosa-transparente em seu telhado. Os painéis são feitos a partir de um corante luminescente que absorve luz e captura energia em tiras fotovoltaicas estreitas. Loik afirmou que os WSPVs são mais baratos do que os sistemas fotovoltaicos tradicionais, enquanto geram eletricidade de forma mais eficiente.

Confira o vídeo sobre o assunto:

UM ECOSSISTEMA DE ENERGIA RENOVÁVEL

As estufas utilizam eletricidade para alimentar seus vários sistemas de monitoramento, ventiladores, luzes e controle de temperatura. A crescente popularidade da agricultura de estufa significa que mais eletricidade já foi utilizada, algo que a equipe da UCSC quer reduzir, permitindo que as estufas inteligentes produzam eletricidade usando a mesma energia solar que as plantas precisam. “Se as estufas geram eletricidade no local, isso reduz a necessidade de uma fonte externa, o que ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa ainda mais”, disse Loik. “Estamos nos movendo em direção a estufas auto-sustentáveis”.

A equipe da UCSC tem crescido suas primeiras colheitas de tomates e pepinos, que são algumas das principais culturas produzidas em estufa globalmente, usando estas estufas. “Oitenta por cento das plantas não foram afetadas, enquanto 20 por cento realmente cresceram melhor sob as janelas magentas”, explicou Loik.

Não é difícil imaginar como essa tecnologia pode caber nos sistemas auto-sustentados que as energias renováveis ​​como a solar estão criando. Com o aumento do uso de sistemas fotovoltaicos em residências, não apenas com usinas, e o avanço de  baterias para armazenamento de energia, as “casas inteligentes” do futuro estão se separando da rede convencional.

Além do uso doméstico, telhados e janelas solares também possibilitam a mudança da paisagem agrícola. Conceitos que combinam casas eco-amigáveis ​​com uma agricultura futurista, como esta vila vertical que será construída em Nova Deli, poderia facilmente se tornar comum nas cidades do futuro.

Fonte: Futurism

 

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