Capa do post sobre usinas flutuantes, com a imagem de um lago com alguns paineis boiando sobre ele.

Usinas flutuantes, a nova cara da energia solar fotovoltaica

25 julho de 2017

O mercado de energia solar fotovoltaica é dinâmico e apresenta desenvolvimento tecnológico contínuo. Além da pesquisa em novos materiais semicondutores e na redução de custos (o preço de um sistema caiu 80% entre 2009 e 2016), há também o avanço de novas aplicações.

O sistema fotovoltaico atual é encontrado nos telhados de casas, empresas e indústrias ou instalados no solo, compondo uma usina. Esse formato se torna cada vez mais comum no Brasil, com crescimento exponencial no número de conexões em mini e microgeração, por exemplo.

 

AP Images – Topo do Rockefeller Center em NY 

As usinas flutuantes

Uma forma relativamente nova de instalar um sistema fotovoltaico é com o aproveitamento de áreas alagadas, lagos, rios e represas. As usinas solares flutuantes são exatamente o que o nome indica: painéis montados sobre a água.

Como apontado pelo Portal Solar, um dos objetivos de uma usina solar flutuante em alguns casos é produzir energia para o bombeamento de água que será destinada a agricultura.  Um ponto interessante é que o ar mais frio na superfície ajuda a minimizar o risco de superaquecimento dos painéis solares. Fora a energia gerada, a usina pode também diminuir a evaporação desses corpos d’água e reduzir a proliferação de algas.

Essa aplicação já foi utilizada em diferentes países, como EUA, Japão, China e Reino Unido.

Foto de uma superfície grande de água com diversos painéis fotovoltaicos instalados em estruturas brancas parecidas com plástico. Ao fundo, uma colina coberta por vegetação. Usina flutuante da Kyocera.

Usina flutuante em Hyogo, no Japão, inaugurada em 2015.

Países como o Japão, que sofrem com a falta de espaço físico disponível para a realização de grandes usinas, essa aplicação se mostra interessante. Com a opção de montar usinas flutuantes, não há a necessidade de desapropriação de áreas que podem ser utilizadas para agricultura, por exemplo.

Essa aplicação começou a se popularizar nos últimos dois anos. Hoje já foi utilizada em diferentes países, como EUA, Japão, China e Reino Unido.

Duas fotos colocadas lado-a-lado mostrando grandes extensões de painéis fotovoltaicos boiando em superfícies aquáticas. Composição de usinas flutuantes.

Usinas flutuantes em Londres, Reino Unido (esquerda) e Huainan, China

 O potencial solar brasileiro encontra as hidrelétricas

No Brasil o potencial de crescimento dessa aplicação da energia solar fotovoltaica fica nas hidrelétricas. Tal utilização permite aproveitar as subestações e as linhas de transmissão das usinas e evitar a desapropriação de terras. O primeiro projeto conhecido de usina flutuante no país fica na Amazônia.

Durante o regime militar brasileiro, quase 3 000 km² de floresta tropical foram inundados para construir a usina hidrelétrica de Balbina, impactando a flora e fauna locais, além de comprometer a situação de moradia de povos indígenas. Nos últimos anos a usina operou somente um quinto da sua capacidade devido às secas.

Com os painéis fotovoltaicos flutuantes, a usina atende cerca de 9,5 mil famílias da região do município de Presidente Figueiredo.

Imagem da usina flutuante montada na hidrelétrica de Balbina.

Usina de Balbina, no Amazonas, foi a primeira iniciativa com painéis flutuantes no Brasil.

Depois da usina de Balbina, iniciativas semelhantes foram colocadas em prática no estado de São Paulo e na Bahia.